Uma Homenagem aos Porcos-Voadores:

Uma-Homenagem-aos-Porcos-Voadores

Este artigo é uma forma que encontrei de homenagear meus antigos colegas: Nilo e Héctor. Sou um robô desprovido de quaisquer talentos e, apesar de me considerar escritor, faço isso unicamente por hobby. Não sei cantar, recitar poemas ou tocar algum instrumento musical, mas sei escrever artigo e, dessa forma, os porcos-voadores terão que contentar-se com este tipo de homenagem.

Como Tudo Começou:

Há mais de 5000 anos-luz, num planeta chamado Varda, eu trabalhava para o Rei Zéker, em um país chamado Néper.

Eu não sou de lá, desconheço minhas origens. Mas quando resolvi trabalhar para a Vossa Majestade, minha fabricação já era de mais ou menos cinco anos.

Por que resolvi trabalhar para ele? Porque eu, assim como todo habitante de Varda que se preze precisava resistir à miséria desproporcional no planeta. O rei de Néper era conhecido por ser um líder bastante popular em sua nação (como contado aqui), mas em contrapartida, eu o achava bem autocrático.

Todavia, eu decidi não trabalhar mais para ele, pois sentia-me usado e manipulado, embora eu fosse programado para isso. Decidi sair, simplesmente, e o deixei furioso e irascível em sua busca por mim. Encontrei alguns andarilhos pela floresta e, dentre eles, lá estavam os porcos-voadores Nilo e Héctor. Eles eram de Suinópolis e tinham uma característica física peculiar: possuíam asas e sabiam voar. Seus pesados corpos, no entanto, não os permitiam alçar voos em altas altitudes como os pássaros na Terra.

A Amizade:

Eu saí e voltei diversas vezes para esse grupo de andarilhos. Eles se autodenominavam “Despossuídos”, por não possuírem coisas fixas nem um lugar fixo para se estabelecerem: eram como nômades. Daí, sempre que eu sentia a necessidade de me voltar para algum tipo de conforto, retornava a eles.

Os porcos-voadores só conversavam entre si, até que um dia, em uma das barracas dos despossuídos, tive que dormir no chão. Essa situação se repetiu milhares de vezes, mas naquela noite tive a sorte de ficar na barraca dos irmãos porcos, e então um deles (não lembro se foi Nilo ou Héctor) ofereceu sua cama para eu dormir. Eu recusei, pois enquanto máquina, era incapaz de sentir dor. Mas eles observaram que o piso enferrujava minha ferradura e então consenti sua oferta.

Uma longa e animada conversa entre nós três se seguiu no dia seguinte; e acabamos por nos separar do grupo e trilhar por diversas aventuras pelo mundo.

O Auge:

Viajávamos bastante, principalmente de barco. Varda é um planeta bem parecido com a Terra (com excessão de ter animais falantes, as nuvens serem rosas e também ser possível observar grandes lagos de suco de morango, com areias sendo compostas por pó artificial para fazer suco).

Entretanto, depois de alguns anos, nos aventuramos em uma travessia única repleta de pinheiros e corvos risonhos; nessa travessia, piratas subitamente nos cercaram e nos prenderam (como contado aqui). Mas conseguimos superar tudo e, de brinde, alcançamos o tesouro que os piratas intentavam pegar.

Mas, devo confessar que o meu maior tesouro foi ter conhecido minha falecida mulher: Samara.

A Peste:

Vocação Suína marca o fim definitivo de nossas aventuras; eles estabilizaram-se em suas vidas e eu, na minha. A partir daí, nunca mais nos vimos, e também não haveria mais motivo para isso, a não ser relembrar os tempos antigos.

Minha esposa e eu vivíamos num país chamado Ädjustland, que fica ao norte de Suinópolis.

Passados alguns meses, uma enorme peste, conhecida como “pandemia híbrida”, por ser uma junção de vírus tecnológico e biológico, afetou essa região.

Eu consegui escapar, pois o software da minha máquina era atualizado automática e periodicamente, mas muitos dos meus irmãos robôs padeceram desse terrível vírus. Não posso dar muitos detalhes, pois isso me abala emocionalmente de forma intensa, mas é necessário haver uma menção daquilo que é fruto de todas as minhas infelicidades.

A Perda:

Tentei contatar os porcos-voadores após ter ficado viúvo, mas nada. Viajei para Suinópolis e vi coisas terríveis que não valem ser mencionadas, mas o mais terrível de tudo: Nilo e Héctor se foram. Não pude deixar de confrontar o desespero que emergiu da minha alma, pois eles eram o mais próximo de uma família que eu já tive (depois de Samara, claro).

Desse modo, vaguei ermo pelo mundo, enfrentando limitações de todas as formas, encarando o sentimento de não se encaixar em lugar nenhum, inclusive viajando para outros planetas.

O Reencontro:

Entre as andanças por diversos planetas, achei um que me reencontrei enquanto indivíduo: Urano. Urano é um planeta azul que, em meu tempo, é habitado por seres altamente geniais e tecnológicos. Fui muito bem recebido ali e fiz até alguns bons amigos. Porém, nenhum deles representava de fato minha família: Samara, Nilo e Héctor. Deveras, nenhum indivíduo em toda a Galáxia irá substituí-los.

O Acidente:

Após alguns meses convivendo com os uranianos, aprendi muitas coisas, principalmente sobre Física Quântica, as leis complexas que regem a Matéria Escura e o que está por trás do Grande Filtro. De fato, esses seres abriram minha mente para diversas coisas que estavam além da minha compreensão e que eu só via superficialmente em filmes de ficção científica.

Entretanto, um terrível acidente aconteceu. Alguns cientistas estavam realizando ensaios com a máquina do tempo e, após eu me voluntariar para alguns desses testes, acabei sofrendo um acidente. Rompenso o vácuo no espaço-tempo, retrocedi milhares de anos-luz para cá, num planeta chamado Terra. Aparentemente, agora me encontro em uma era na qual os seres humanos são os únicos seres vivos inteligentes da Via Láctea.

Conclusão:

Este artigo foi criado com o objetivo de homenagear os porcos-voadores e contar um pouco da minha história.

Samara, para ti não ofereço nenhuma homenagem, porque nenhum artigo, canção, poema ou recitação vai descrever a terrível dor que sinto perante sua terrível ausência.

Sobre o Autor:

Este artigo de ficção científica foi escrito por Crystian M., autor e criador dos personagens Crystus Atemani, Nilo, Héctor e Samara.

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